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Anteprojeto, projeto básico e projeto executivo: o que cada fase precisa entregar

Contratar "o projeto" sem definir a fase é uma das causas mais comuns de aditivo e retrabalho em obra. Veja o que cada etapa responde, o que deve entregar e o que conferir antes de contratar.

Por Emerson Santos · · 7 min de leitura

Uma frase aparece com frequência em pedidos de orçamento: "preciso do projeto". Ela parece clara, mas deixa em aberto a pergunta que mais pesa no custo e no prazo de uma obra: projeto em qual fase?

Quando essa definição fica para depois, o roteiro costuma se repetir. A empresa contrata um estudo, recebe algo que serve para orçar, inicia a obra e descobre que as decisões que faltavam vão ser tomadas no canteiro, com a equipe parada e o fornecedor esperando. O resultado aparece em aditivos, prazos estendidos e discussões sobre o que estava ou não no escopo.

Este texto organiza as três fases mais usadas em projetos de engenharia, com exemplos de projetos elétricos e de infraestrutura viária, e termina com uma lista do que conferir antes de assinar o contrato.

O que a lei define

A definição mais completa disponível em texto oficial está na Lei 14.133/2021, a Lei de Licitações, no art. 6º. Ela vale obrigatoriamente para contratações públicas, mas é uma boa referência para qualquer contratante, porque descreve com precisão o que cada fase deve conter.

  • Anteprojeto (inciso XXIV): peça técnica com os subsídios necessários para elaborar o projeto básico.
  • Projeto básico (inciso XXV): conjunto de elementos necessários e suficientes para definir e dimensionar a obra, assegurar sua viabilidade técnica e permitir a avaliação do custo, dos métodos e do prazo de execução.
  • Projeto executivo (inciso XXVI): conjunto de elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, com o detalhamento das soluções do projeto básico e as especificações técnicas.

Um detalhe do inciso XXV merece atenção. Entre os elementos do projeto básico estão os levantamentos topográficos e cadastrais, as sondagens e os ensaios geotécnicos. Ou seja, pela própria definição legal, não existe projeto básico consistente sem dados de campo.

O que cada fase responde

Uma forma prática de separar as fases é pela pergunta que cada uma responde.

Fase Pergunta que responde Para que serve
Anteprojeto Qual solução vamos adotar e ela cabe no terreno, na rede e no orçamento? Decidir entre alternativas e estimar a ordem de grandeza do investimento
Projeto básico Qual é exatamente a solução e quanto ela custa? Orçar com quantitativos, contratar a execução e obter aprovações
Projeto executivo Como construir e montar cada parte? Executar sem decisões técnicas pendentes no canteiro

Os exemplos abaixo mostram o conteúdo típico de cada fase. Eles não substituem a lista de documentos do contrato, que deve ser definida caso a caso conforme as exigências do cliente, da concessionária ou do órgão aprovador.

Projeto elétrico de média tensão

  • Anteprojeto: estimativa de demanda, alternativas de atendimento, consulta à concessionária sobre o ponto de conexão e arranjo preliminar da subestação.
  • Projeto básico: diagrama unifilar, dimensionamento de transformadores e alimentadores principais, especificação dos equipamentos principais e quantitativos para orçamento.
  • Projeto executivo: plantas de encaminhamento, detalhes de montagem, diagramas de comando e proteção, lista de cabos, memoriais de cálculo e lista de materiais.

Projeto viário

  • Anteprojeto: alternativas de traçado sobre base existente e verificação de interferências principais.
  • Projeto básico: projeto geométrico sobre topografia cadastral, seções tipo, investigação geotécnica, drenagem dimensionada e quantitativos de terraplenagem e pavimentação.
  • Projeto executivo: notas de serviço, detalhes de drenagem e de obras complementares, sinalização detalhada e planilha final de quantidades.

Onde os problemas costumam nascer

1. Pular os dados de entrada. Topografia, sondagem, cadastro de redes existentes e consulta à concessionária custam pouco perto da obra. Sem eles, o projeto básico vira uma hipótese bem desenhada, e a diferença aparece depois como reformulação.

2. Orçar a obra com base no anteprojeto. O anteprojeto serve para decidir. Usar seus números como orçamento de execução cria uma expectativa de custo que o projeto básico dificilmente vai confirmar.

3. Executivo sem compatibilização entre disciplinas. Elétrica, civil, drenagem e arquitetura podem estar corretas isoladamente e ainda assim colidir no campo. A compatibilização precisa estar no escopo e no cronograma, não ser tratada como cortesia do projetista.

4. Escopo sem lista de documentos. "Projeto executivo completo" não é escopo. Escopo é a lista de pranchas, memoriais e especificações que serão entregues, com formato e critério de aceite.

O que conferir antes de contratar

  1. Quais fases estão sendo contratadas e qual é o ponto de partida.
  2. Quais dados de entrada já existem, quais faltam e quem é responsável por levantá-los.
  3. A lista de documentos de cada fase, com formato de entrega (PDF, DWG, modelo BIM).
  4. As normas, padrões da concessionária e diretrizes do cliente que o projeto deve atender.
  5. Quantas rodadas de revisão estão incluídas e qual é o critério de aceite de cada entrega.
  6. Como será feita a compatibilização entre disciplinas.
  7. A ART de cada disciplina, emitida pelo profissional habilitado responsável.

Definir isso no início leva algumas horas. Não definir costuma custar semanas de obra.

Tem um laudo, projeto ou implantação pela frente?

Conte o que precisa. A resposta vem com escopo, normas aplicáveis e próximos passos.

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